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“Este livro é uma arma política para as próximas eleições" Bruno Simões Castanheira José Paiva Capucho 19/05/2015 10:00:00

Foi da JSD e seguiu Jornalismo mas cedo desistiu. É assessora do PSD e diz que o livro é uma “arma política”.

Toda a maneira de estar dele, de comunicar, me intrigava desde que ele foi nomeado primeiro-ministro.” Este foi o motivo que levou Sofia Aureliano, assessora do grupo parlamentar do PSD desde 2011 e militante do partido desde 2012, a escrever a biografia autorizada de Pedro Passos Coelho, "Somos o Que Escolhemos Ser”.

A decisão foi tomada por vontade própria no Verão do ano passado, depois de ter ouvido algumas histórias pessoais sobre Passos, que foram o ponto de partida para o livro que já gerou polémica dentro da coligação. Sofia sabia que as críticas ligadas à sua função seriam o prato do dia, mas reafirma que não foi uma encomenda, concordando que a investigação “foi facilitada” pelo cargo que ocupa. E dá o exemplo de países como os EUA, onde “ é prática comum serem os assessores a escrever sobre os políticos”.

 

O “sim” de Passos não foi imediato – alguém que não conhecia pessoalmente –, pois julgava que “não tinha sumo ou não se justificava fazer uma biografia dele”, diz.

A relutância poderia criar um entrave, mas em Novembro deu-se a primeira entrevista “à porta fechada, sem horário fixo, na sua residência oficial”. Antes Sofia preparou-se com longas horas de leitura de outras biografias, maioritariamente de direita, como as de Margaret Thatcher ou_David Cameron (outra das figuras políticas que admira, e com menção especial no livro), relembrando os tempos em que trabalhou para a editora Bertrand. Não se esqueceu de folhear outras obras sobre o entrevistado, como “Pedro Passos Coelho – Um Homem Invulgar”, de Felícia Cabrita, e “Mudar” (também citado na obra), do próprio entrevistado. Essas leituras foram feitas por “uma questão de pesquisa”. Não trocou impressões com Felícia Cabrita. “Só queria perceber se podia inovar, fazer uma coisa diferente”, conta.

Antes de trabalhar para o partido Sofia experimentou várias áreas, sempre com os olhos na política. “Academicamente estive muito voltada para a comunicação política.” Aos 16 anos candidatou-se à Associação de Estudantes da Escola
D. Maria Amália, com o apoio da Juventude Social-Democrática, da qual fez parte.

Acabou por vencer, e deitou por terra a filiação. Nunca mais teve nenhuma ligação ao partido mas manteve um olhar observador, sempre com “orientação social-democrata”, admite. Anos mais tarde, depois de uma breve passagem pelo curso de Direito da Clássica, Sofia ingressou em Comunicação Social no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), com especialização em Jornalismo Político. Esses ensinamentos ajudaram na escrita, mas confessa “não ter saudades do jornalismo”. Da rádio à consultoria, a autora “esteve sempre a andar de um lado para o outro” porque percebeu que ser jornalista “não a faria ganhar a vida”.

O seu ganha-pão vem agora da Assembleia da República e da sua primeira biografia, que revela ser “uma ousadia por falar de alguém que é mal visto”. A “ousadia” aumentou para muitos, sob a forma de provocação, depois do lançamento do livro, no dia 5 de Maio, dez dias depois do anúncio da coligação para as legislativas entre o CDS e o PSD. “Não sabia do anúncio da coligação, o lançamento foi marcado antes. Foi pura coincidência”,afirma.

A polémica e o “grande nervosismo”, como lhe chama, instalado durante as últimas duas semanas é justificado assim: “Ouvi quase tudo o que foi dito, e se fizer o retorno mediático acho que bati o meu record do lançamento do livro do Tony Carreira, com quatro directos. Bastava um livro talvez.” Confessa ser adepta de humor inteligente – e jogadora de basquetebol no grupo desportivo parlamentar –, mas os comentários ferozes de que é alvo, principalmente das pessoas que ainda não leram o livro, são desvalorizados pela própria, mesmo estando “ perfeitamente à espera deles”.

Quanto à opinião do primeiro-ministro, Sofia Aureliano não ficará incomodada caso não chegue, mas sabe que “está confortável” com o que escreveu. Esse feedback poderá tardar, depois de Passos Coelho, na última sexta-feira, em entrevista ao semanário “Sol”, ter admitido que ainda não leu o livro todo porque “não teve tempo”, confessando não ser um género que o atraia particularmente.

Os dois defendem, porém, que tudo o que está escrito é “factual” e a controvérsia gerada à volta do Verão “frio” de 2013 não traz novidade nenhuma. “Não há nenhuma novidade no capítulo do livro sobre a história do sms”, assegura Sofia, que não espera o envio de feedback via telemóvel do vice-primeiro-ministro, Paulo Portas. “Ele não me disse nada, porque haveria de dizer? O que ele disse é público. É o principal líder do partido de oposição”, finaliza com humor.

O número dois do governo não teve direito a contraditório na obra, mas alguns amigos políticos de Passos Coelho, como Marques Mendes, Marco António Costa ou Pedro Pinto, contribuíram para os cerca de “três volumes de gravações guardadas no cofre”, apesar de nenhum deles ter pedido para ver o trabalho da autora. E Dias Loureiro? Tal como Portas, não foi escolhido.

Laura, mulher do primeiro-ministro, foi a última a fazer a entrevista. “Ela queria muito contribuir com este testemunho”, diz Sofia. Mais uma das decisões contestadas, depois de em Janeiro o primeiro-ministro ter pedido privacidade quanto ao estado clínico da mulher. “Eu não senti que estava a invadir a esfera privada, e foi algo alheio à vontade do primeiro-ministro.”

A assessora conseguiu entrar na privacidade do casal, mas escolheu escrever um único capítulo sobre as dívidas à Segurança Social e o caso Tecnoforma. Responde pragmaticamente com a velha expressão: “Queriam que eu batesse mais no ceguinho?”

A confiança cega da autora na vitória do PSD nas legislativas em Setembro ou Outubro poderá ganhar fãs já nos próximos três meses. “Este livro é uma arma política para as próximas eleições, para que as pessoas conheçam o homem”, conta. A razão? “Passos Coelho tem perfil de estadista, e é a pessoa mais bem preparada para aquilo que aí vem.” Está dito, ponto final.

 

BI

Profissão: Assessora de comunicação dogrupo parlamentar do PSD desde 2011

Currículo Foi professora no ISCSP entre 2003 e 2007.Trabalhou na RádioComercial, na área da multimédia, de trânsito e de cultura. Foi para a produtora Mandala, onde geriu uma área de canais temáticos. Fez parte da produção doprograma Contra Informação em 2005. Entrou na agência Lift em 2006, onde foi relações públicas. Seguiu para a agência Pure Activism: mais quatro anos até 2011.Passou ainda pela Valentim de Carvalho Filmes e peloGrupo Bertrand. É professora--adjunta da Escola Superior de Hotelaria e Turismo em mestrado desde 2009.

Formação: Estudou Direito na UniversidadeClássica.Licenciou-se em ComunicaçãoSocial com especialização emJornalismo Político no ISCSP. Fez na mesma instituição uma pós--graduação em Marketing Político.

Escrito por Alexandra Louro — May 19, 2015

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